Tudo faz sentido. Mas, às vezes, não. 😕

 



       Como é bom estar de volta. Aqui e na terapia. Definitivamente, após o meu diagnóstico, a terapia ganhou outro significado. É quase que meu regulador, e sem dúvida me ajuda a entender como eu funciono. Aliás, falando em regular, você sabe o que isso significa? É que eu mesma só fui entender esse conceito beeeeem recentemente. Regular. 

Regular é o que eu preciso fazer quando eu… me desregulo. E o que é desregular? Bom, aí é que tá. Sabe quando tudo faz sentido? Pois é. Nem sempre eu sei. Pra que você entenda melhor, me permita te explicar minha linha de raciocínio. Digamos que eu tenho várias caixinhas na minha cabeça. Elas são fechadinhas, e amarelas, num tom opaco. Não chamam atenção. Esse é meu funcionamento normal. Chega uma informação, eu penso em que caixinha ela vai, direciono mentalmente, e sigo a vida normal.

Às vezes, me sinto feliz e aí minha caixinha fica azul, igual aquele filme Divertidamente, sabe? Só que pra mim, o azul é o feliz. O problema é quando vem uma informação que eu não sei para qual caixinha vai. Ou quando vem uma chuva de informações num tempo menor do que aquele que eu levo pra guardar tudo no seu devido lugar. Consegue entender? Imagina uma chuva de cartas ou aqueles cupons de sorteio que jogam aos montes para o ar. E aí me imagine tentando guardar cada um no seu lugar antes que todos caiam. Complicado né?

Quando isso acontece, as caixinhas ficam vermelhas. Vira uma inundação alarmante, quase uma enchente que coloca minhas caixinhas para boiarem, totalmente fora do lugar. E isso se reflete no corpo. Eu começo a ficar impaciente, e ter necessidade de apertar alguma coisa ou de arremessar, porque isso me faz pensar que essa “inundação” está saindo do meu corpo.

Por anos, eu achava que eu era “histérica”. Que tinha uma crise nervosa que não sabia controlar e atirava coisas como nas novelas. Mas a terapia, lembra dela ali de cima, ahhhh essa mudou a minha vida toda. Hoje entendo que arremessar é minha forma de regular, mas que não dá pra fazer isso sempre, e então tenho buscado encontrar outras formas de me regular. 

Mas finalmente, o que é esse regular? É simplesmente conseguir voltar minhas caixinhas para o amarelinho sem graça que elas têm. É não permitir que elas inundem e corram para minhas veias, fazendo eu sentir um pouco de falta de ar, falta de lógica, falta de eixo central no corpo, sensação de ter a pele queimando… Todas essas sensações que eu não escolhi sentir, mas que desencadeiam como um choque elétrico no meu corpo quando tenho crise. 

É complicado, mas a santa terapia me ajuda. Assim como me ajudou a conseguir processar o que acontece com o meu pensamento - que, vamos lembrar - é totalmente diferente do que acontece com outra pessoa no espectro. E poder explicar isso é bastante empoderador pra mim. Afinal, você consegue imaginar o número de problemas de relacionamento de todos os tipos, que eu tive por conta dessas crises? Diagnóstico não é limitação. É caminho. E ao abrir o meu, eu consegui mostrar a quem me cerca o que realmente acontece comigo. Agora sobre como eles têm reagido? Bom, aí eu deixo para a próxima sessão. Quer dizer… Próximo papo nosso! Até lá!

Dannie K.

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