Dias nublados 🌧



     Pensei seriamente em não escrever pra coluna esse mês. Mas por favor, não leve à mal. Eu adoro este espaço. O problema é que estou em semanas particularmente agitadas. E se você me conhecesse pessoalmente, talvez acharia que eu mesma sou agitada e lido bem com isso, mas a verdade é que não é bem assim. 

Vez passada comentei com vocês sobre as caixinhas. Essas que moram na minha mente, e servem quase como uma estante imaginária, onde coloco tudo no lugar. E como é complicado pra mim quando elas ficam abertas com os “brinquedos” todos espalhados. Pois é. Dá vontade de ficar sentadinha, num cantinho, abraçada em mim mesma, e me balançando sem parar. Isso tudo porque a falta de ordem de raciocínio me gera um pico de ansiedade diferente de quando estou apenas ansiosa. Sim, dá pra ter os dois tipos de sensação. A diferença é que um gera estresse, o outro gera desespero mesmo. Dá sensação de fim do mundo em um minuto. Como se um buraco interno abrisse e começasse a sugar tudo pra dentro dele. 

Eu sei que a ansiedade em grande escala também dá uma sensação ruim. Mas isso que eu me refiro pode vir mesmo de um dia extremamente comum, simplesmente porque fui interrompida num pensamento. Ou simplesmente porque alguém me encostou num momento no qual eu não estava preparada pra isso. “Ah, então você é uma bomba relógio?” Não. Eu sou gente. Mas talvez eu tenha um mecanismo similar. 

Queria conseguir explicar exatamente em quais atividades isso acontece e quais não, mas é difícil. É uma combinação muito específica de fatores, momento e pensamentos que desencadeiam “a crise”. “A crise”, que é como me facilita chamar, às vezes me dá necessidade de gritar, de bater, de jogar coisas. E muitos foram os anos que pensaram que eu era descontrolada. Que eu era só irresponsável. E eu cansei de me sentir extremamente mal por “ser assim”. Até que meu diagnóstico veio e me ajudou a entender. 

Quando eu estou num ambiente, faço um mapeamento auditivo. Ruídos inesperados neste mapeamento são itens a mais nessa caixinha. Acúmulo de tarefas também. Um ambiente bagunçado, onde vejo coisas espalhadas também se torna outra caixinha da bagunça na cabeça.  E não concluir uma tarefa, também. O que acontece é que as minhas caixinhas transbordam, e aí parece que o que tinha dentro percorre todo meu corpo, que precisa combater isso. Expulsar esse excesso. E daí vem a vontade irracional de “extravasar”. E não, não dá pra controlar. 

Não me ofereça meditação, yoga ou mesmo terapia. Mesmo que eu faça de tudo isso um pouco. Porque quando estou num momento nublado, não é fácil. O corpo inclusive dói, e depois do pico, eu me sinto exausta, e sem alegria ou ânimo nenhum. Preciso comer bem, dormir bem e tomar um bom banho pra me recuperar. Mas por outro lado, eu entendi que posso tentar interromper esse ciclo, então hoje, eu faço várias atividades para evitar essas crises. Mas que elas acontecem, acontecem. E acho que fiz as pazes com isso.

E hoje já não peço mais desculpas por isso. Por não conseguir conter dentro do meu corpo a aceleração e o fervor e o formigamento, e tudo isso ao mesmo tempo. Por não conseguir enxergar mais nada fora, e ser atraída pra esse imã esquisito que mora dentro do centro do meu estômago. E tento não me expor às situações que me provocam isso (mesmo quando eu conseguia guardá-la para explodir mais tarde), como conhecer muitas pessoas, estar em lugares muito aglomerados, falar com pessoas com quem não sinto intimidade e aí por diante. 

Mas o mais importante é ter mapeado esse ciclo e saber que parar, respirar, dormir 8h por dia, viver o ócio e outras tarefas tão menosprezadas por todos nós, para mim não é luxo. É necessidade. Assim como deveria ser pra todos nós. Mas talvez a gente fale pouco sobre coisas assim: a consciência do corpo, da mente, dos sentimentos, das emoções… Acho que são conversas que deveríamos ter, não acha? Então que tal termos uma no próximo encontro? 

      Até lá!


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